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Benefícios da leitura para as crianças

Há cerca de 2 anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou a campanha Receite um Livro. A  iniciativa quer incentivar os médicos pediatras a prescrever a chamada leitura parental – quando lemos para crianças – já a partir da gestação. Veja por que essa recomendação médica, adotada em muitos outros países, é tão importante.

 

  1. Fortalece o vínculo com quem lê para a criança, ou seja, pais, familiares, cuidadores ou educadores.

 

  1. Contribui para o desenvolvimento da atenção, da concentração, do vocabulário, da memória e do raciocínio.

 

  1. Estimula a curiosidade, a imaginação e a criatividade.

 

  1. Ajuda a criança a perceber os próprios sentimentos e a lidar com as emoções.

 

  1. Contribui para o desenvolvimento da chamada empatia – que é a capacidade de se colocar no lugar do outro.

 

  1. Ajuda a minimizar problemas comportamentais, como agressividade e hiperatividade.

 

  1. Melhora a qualidade do sono.

 

  1. Estimula a linguagem oral.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria.

 

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A importância do estímulo motor adequado às crianças em crescimento

A IMPORTÂNCIA DO ESTÍMULO MOTOR ADEQUADO ÀS CRIANÇAS EM CRESCIMENTO.

Quando uma criança nasce, seu sistema nervoso ainda está em formação, o que faz com que ela ainda não tenha habilidades motoras, como: sentar, andar etc.

Ao longo dos primeiros 03 meses de vida a criança, em geral, adquire habilidades como controlar a cabeça e o tronco, além de ser capaz de seguir objetos e sons.

Nos 03 meses seguintes (até 06 meses) ela é capaz de se virar de um lado para outro quando deitada, assim como ficar sentada sem apoio. Se puxada para sentar, participa do movimento sem deixar a cabeça cair para trás, além de ser capaz de se arrastar pela casa.

No trimestre seguinte (até 09 meses) a criança já é capaz de engatinhar, puxar objetos em sua direção e escalar móveis. Nesta fase é comum se locomover em pé de lado e segurando em coisas.

Ao completar 01 ano a criança já é capaz de ficar em pé sozinha, mesmo que por pouco tempo, encaixa objetos, dá alguns passinhos e assume a posição de cócoras para pegar objetos no chão.

Ao longo do ano seguinte (até 02 anos) vai ganhando desenvoltura e novas habilidades, como subir e descer escadas, correr, pular.

E com 03 anos de idade, a criança tem grande habilidade motora, como andar de triciclo, ficar sobre uma perna só mesmo que se desequilibre um pouco.

Dos 04 aos 07 anos de vida, a criança vai adquirindo novas habilidades, vencendo novos desafios, cada vez mais complexos, como: andar de bicicleta sem rodinhas, pular corda, brincar de amarelinha etc.

Porém é importante dizer que o ganho destas habilidades se dá de forma gradativa e individual, onde cada criança apresenta um ritmo de desenvolvimento o que é totalmente natural e que crianças prematuras costumam apresentar uma maior lentidão nestas aquisições.

Os dados acima são apenas parâmetros utilizados por médicos, fisioterapeutas, cuidadores e professores para possibilitar a adequada observação deste desenvolvimento e interferirem da melhor maneira assim que perceberem necessário.

Por exemplo, a criança está com 08 meses e ainda não consegue ficar sentada sozinha. Será que isso é indicação de alguma doença? Provavelmente não. Se o parto do bebê correu tudo bem, se ele tem feito as avaliações médicas de rotina, possivelmente o que deve estar acontecendo é uma pobre estimulação por parte da família. Começar a colocar a criança no chão com brinquedos a certa distância vai estimulá-lo a ficar sentado sozinho para brincar. No começo ele vai cair bastante, mas logo adquirirá habilidades motoras para se controlar melhor na posição.

Outro exemplo, a criança fica em pé, mas tem medo de trocar passinhos. O que pode ser feito para estimulá-la? Ficar a sua frente e oferecer as suas mãos como possibilidade de apoio ou brinquedos que enquanto são empurrados pela criança, possibilitem o seu apoio ao mesmo tempo, podem dar a segurança necessária para que ela vença este desafio.

O importante é dosar este estímulo para que ele não seja exagerado, pois isso pode frustrar a criança. Uma maneira de saber se você está abusando é observar se a criança fica irritada ou chorando. Talvez seja o momento de parar a brincadeira ou pelo menos modifica-la.

Cada criança desenvolve habilidades de um jeito, umas mais rápidas do que outras, mas se a criança está constantemente adquirindo habilidades novas, o ritmo desta aquisição não tem tanto valor. O fato de uma criança começar a ler antes dos amiguinhos não quer dizer nada. Estudos mostram que esta “dianteira” é perdida com o tempo.

Agora, se seu filho parece estar ficando muito para trás, converse com seu médico. Ele será capaz de tirar suas dúvidas e te indicar o melhor caminho a percorrer.Caso seja constatado algum atraso, conte com a ajuda de um fisioterapeuta especializado para estimular o seu filho e orientar todos os que cuidam dele de como proceder. E principalmente, fique tranquilo.

Perceba-se!

 

 

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O uso da tecnologia na infância

Embora a tecnologia faça parte da vida moderna, qual será a utilidade e o lugar que os computadores e a internet devem ter na vida das crianças?

Será que os jogos eletrônicos ou PCs games que estimulam a resposta instintiva, não reflexiva e imediata, oferecem benefícios educativos ou didáticos para as crianças na primeira infância?

Vamos olhar para o desenvolvimento infantil de 0 a 6 anos e avaliar juntos qual o lugar e a necessidade do uso da tecnologia na primeira infância.

 

Nos três primeiros anos de vida

O primeiro ano de vida é marcado, principalmente, pelas diversas fases do desenvolvimento motor. O bebê irá tomar posse do próprio corpo, descobrindo possibilidades e desenvolvendo as suas habilidades motoras.

O bebê vive, primeiramente, em um mundo de sensações e propriocepções que gradativamente vai dando lugar a percepção do ambiente e do outro.

O ser humano é um ser social que só terá o seu desenvolvimento sadio se este for permeado pelo vínculo, isto é, pelo relacionamento humano afetuoso.

O segundo ano de vida é marcado principalmente pelo desenvolvimento da fala, a criança já entende a fala do adulto e pouco a pouco passa a falar palavras e frases curtas desenvolvendo gradativamente a comunicação através da palavra. No segundo ano de vida a criança que aprendeu a andar irá aprender a correr, a saltar e escalar, desenvolvendo equilíbrio e explorando o espaço físico.

No terceiro ano de vida a criança começa a estruturar melhor as suas frases, suas brincadeiras se tornam mais complexas e ela passa a buscar mais ativamente a interação com outras crianças. É através da brincadeira iniciada pela própria criança e da liberdade de movimento que a criança conhece o próprio corpo, o meio ambiente e desenvolve a capacidade de se relacionar socialmente. Piaget afirma que a exploração e a ação sobre o mundo externo são uma forma de inteligência. A assimilação sensório-motora conduz a uma certa lógica que organiza o mundo real, estruturando categorias de ações que embasam as futuras operações do pensamento.

Logo, as relações e as experiências diretas que acontecem através dos cuidados diários e do livre brincar nos primeiros anos de vida, proporcionam a base necessária para o desenvolvimento da inteligência.

 

A cultura atual e o computador

O computador, enquanto ferramenta de trabalho, informação, pesquisa e comunicação tornou-se indispensável para a nossa cultura. Tornou-se tão necessário e imprescindível que hoje existe um novo analfabetismo, o analfabetismo digital. A geração que entrou em contato com o computador na década de 90, já adulta, e teve dificuldades para se adaptar a esta nova linguagem, muitas vezes teme que seus filhos cresçam sem se familiarizar com esta ferramenta. Portanto, se admira e acha incrível que as crianças consigam aprender com tanta rapidez como utilizar estes meios. No entanto, é importante lembrar que hoje é muito mais fácil navegar na internet, utilizar um computador ou celular do que já foi no passado, a sua utilização foi muito simplificada, sendo autoexplicativa, o que dispensa a pressa na aquisição destas habilidades.

A criança precisa sentir, experimentar e vivenciar concretamente o seu próprio corpo, o espaço físico, a natureza e as relações sociais para poder se constituir enquanto sujeito. Até os três anos de idade a tecnologia, os jogos eletrônicos e o computador não trazem qualquer benefício para as crianças, porque apresentam uma realidade virtual oferecendo um aprendizado muito restrito que não contribui para desenvolver a capacidade de agir no mundo, a capacidade de realizações concretas. Os jogos eletrônicos podem ser limitadores ou até mesmo prejudiciais quando ocupam o tempo e o espaço que deveria ser destinado ao desenvolvimento motor, emocional e cognitivo. E ainda diminuem a capacidade de concentração pelo excesso de estímulos visuais que oferecem.

Dos 3 aos 6 anos de idade

A criança desenvolve a sua fantasia e imaginação por meio de brincadeiras que envolvem movimento, ação e interação. Este brincar que tem origem na iniciativa própria da criança é um brincar muito rico que proporciona o desenvolvimento de capacidades cognitivas, da inteligência, preparando a criança para o aprendizado escolar do ensino fundamental e médio através das experiências vividas.

O entretenimento virtual com jogos eletrônicos e PCs games se mostram limitados oferecendo dificuldades significativas para o desenvolvimento sadio, são elas:

  • Diminuição da participação em atividades sociais
  • Dificuldades nas relações sociais
  • Afastamento das crianças e jovens de seus pais
  • Estímulo e dessensibilização à violência
  • Valores éticos questionáveis vinculados a estes produtos
  • Dificuldades de aprendizagem escolar
    • Resultado pela mudança no tipo de atenção, não adequado às aulas tradicionais

E também riscos à saúde:

  • Problemas visuais
  • Problemas auditivos
  • Lesões por esforço repetitivo (LER)
  • Causam vício (da mesma forma que os jogos de azar)
  • Transtorno do jogo pela internet
    • Manual Diagnóstico e estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5

 

É bem provável que os jogos eletrônicos se transformem, em um futuro próximo, em excelentes ferramentas de apoio educacional para o ensino fundamental e médio. No entanto, para a educação infantil de 0 a 6 anos o que promove o desenvolvimento infantil sadio são vínculos fortes e significativos e o brincar livre.

Como tudo o que é proibido desperta ainda mais a curiosidade e o interesse, não devemos proibir o uso do computador, mas na primeira infância o seu uso deve ser bastante limitado e controlado para evitar excessos e prejuízos.

 

Bibliografia

FRIEDMAN, A. e col. Caminhos para uma aliança pela infância. São Paulo: Aliança pela Infância, 2003.

GIMAEL, Patrícia Couto Infância Vivenciada – São Paulo – Editora Paulinas -2013

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM – 5. Porto alegre: Artmed, 2014.

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